Minha Primeira Semana de Aulas

em terça-feira, 10 de setembro de 2013 com 3 Comentários
Oláááá todo mundo!

Tudo bem com vocês? Então, depois de quase nove meses, tive uma primeira semana de aulas de verdade aqui na UPEI. Depois de quatro meses de verão, o move-in day foi como ver a universidade voltando à vida. Fazia tempo que eu não via o estacionamento cheio e os corredores lotados de gente. Quer saber mais?


   Então, se você leu o post anterior, deve saber que eu me voluntariei para o Buddy Program e para ir buscar alunos internacionais no aeroporto, o que se mostrou uma ótima ideia, pois a maioria dos meus novos amigos veio daí. E dos amigos dos novos amigos. Foi tão legal que mesmo na primeira semana já fui à duas home parties. Uma delas no quarto da Thanaa (se pronuncia Tané) e da Dain (a pronúncia é esquisita de mais para colocar aqui). Nós cozinhamos macarrão com almôndegas e muitos vegetais, Surin, Leoni e Charlotte também estavam lá. Nesta noite eu descobri que a Coréia do Sul deve ser um lugar lindo de se viver por um simples fato: lá quase não tem baratas. Sim, eu estou falando sério. Eu descobri isso quando a Thanaa me contou que a Dain nunca tinha visto uma barata na vida até a noite anterior, quando apareceu uma no armário e ela pensou ser uma mancha preta até a "mancha" começar a se mexer (obs.: as baratas aqui são daquelas bem pequenas, nãos essas vermelhas enormes que tem no Brasil). O que foi que ela fez? Deu um chilique, prendeu a barata em baixo de um pote e, acredite ou não, chamou o segurança para matar. Eu preciso dizer que chorei quando me disseram isso? Ah, e elas ficaram simplesmente horrorizadas quando contei que no Brasil existem baratas que voam. Not fair, Brazil, so not fair...

Girl's party
Nossa obra de arte

   Então, um dia depois minhas aulas começaram, mas eu ainda estava na luta pelos meu horário. E tudo isso porque o CNPq tem a mania bacana mudar as regras aleatoriamente do dia para a noite. Aí eu pergunto: edital pra quê se eles fazem tudo do jeito que querem, né? O caso é que a escrita nunca foi o meu forte em inglês. Era para eu ter feito aula de idiomas só de escrita quando cheguei aqui, mas não deu por causa dos meus atrasos (não vou entediar vocês com detalhes) e aí já estava tudo certo que eu ia fazer um curso especial de escrita para estrangeiros agora quando, cinco dias antes do início das aulas, o CNPq inventa que só pode fazer inglês no primeiro semestre. Tipo, quando as matérias legais já estavam todas cheias, eles chegam para a galera e dizem: olha, troca tudo aí que agora a coisa vai ser diferente. Eu entendo que eles fazem isso porque o pessoal abusa muito, estão sendo pagos para estudar ciência e vão se matricular em música, francês, etc. Mas CINCO DIAS antes das aulas? A você que é responsável por estas mudanças, fica aqui o meu aplauso:


   E aí lá vai correria de novo. Pede pra um, chora pro outro, é ignorado por todos... Até que resolvi fazer um super apelo ao CNPq. Fiz todo uso do meu bom português para dizer a eles porquê deveriam pagar minhas aulas de escrita. Entre os motivos está o fato de que o objetivo do programa é investir no meu futuro como cientista no Brasil, onde você não cresce se não tiver muitas publicações em boas revistas, que são sempre em inglês. Como vou publicar se não souber escrever bem? E como vou me tornar uma cientista no Brasil se lá esta profissão não existe? E, por incrível que pareça, eu recebi uma resposta. Uma resposta que fazia sentido. E, mais importante, uma resposta positiva.



   Ainda não acredito que consegui. Aliás, ninguém acredita. Quando contei aos outros brasileiros, eles me perguntaram qual foi a macumba (piadas à parte, gente, esse serviço precisa ser melhorado com urgência). Então, as aulas começaram com tudo e tenho alguns professores que não brincam em serviço. Já tive homeworks (me recuso a chamar de "tarefa de casa", eu sei que é a mesma coisa, mas em inglês não soa tão "escola primária") e me orgulho de dizer que estou com todos eles em dia. Eu sei que é só a primeira semana, mas é nessa mesma que a gente começa a deixar as coisas se acumularem e tudo vai pelo cano. Estou adorando todas as minhas aulas deste semestre (Biologia Evolutiva, Ecologia Geral, Biologia Marinha e Habilidades Escritas para Estudantes de Inglês), mas devo fazer uma menção honrosa à minha tão suada aula de escrita, que está sendo muito melhor do que eu pensei. É uma disciplina que faz uma revisão gramatical do inglês desde a base. Sabe quando na primeira série aprendemos a identificar pronomes, verbos, sujeito e todas aquelas classificações? Esta aula faz a mesma coisa com inglês. Bem mais resumidamente, claro, não temos anos para aprender, mas gostei muito da ideia: ensinar a estruturar bem uma frase para construir um ótimo texto. Perfeito, não? Era exatamente o que eu queria e precisava.

   E aí chegou a sexta! Sexta teve uma festita cortesia do Alex (meu amigo canadense com cara de chinês) feat. brazilians, com direito a feijão à moda da Lizzie e brigadeiro! Deixando a modéstia de lado, quem já provou sabe que brigadeiro é minha especialidade. Para quem não sabe, na América do Norte não se sabe o que é brigadeiro (mas como pode, gente!), ele sempre faz o maior sucesso. Porém, acho que me superei mesmo foi no feijão. Foi apenas minha segunda tentativa de fazer e ficou ótimo! Só não melhor do que o da mamis, porque comida da mamis, vocês sabem, não existe melhor. E eu tenho o depoimento de metade dos estudantes internacionais da UPEI para comprovar este fato. Ao menos a mim eles disseram que estava bom, né? Vai saber... Enfim, foi uma noite muito legal, muito intercâmbio cultural, sem bagunça, sem música absurdamente alta, sem gente bêbada por todos os lados. Adoro esse tipo de festa. É só uma pena que esqueci de levar minha câmera, então a única foto que tenho é essa:

Foto tirada pela Asya (japinha da frente). Esqueci o nome da japinha de trás e a loirinha ali é a Leoni (Alemanha)
   Outra novidade é que agora eu quase consigo diferenciar asiáticos. Quase, porque as vezes ainda erro. Como esse pessoal da Ásia tem muita rixa um com o outro, é sempre mais seguro perguntar de onde eles são ao invés de tentar adivinhar (o palpite fica só na cabeça mesmo). Teve uma reunião do Buddy Program onde acredito que conheci mais 80% dos estudantes internacionais, comi um monte de cookies e ainda ganhei uma garrafinha :)

  Mas tirando isso, meu fim de semana foi de preguiça e estudos. Vou ficando por aqui que já está bem tarde. Espero que tenham gostado, um beijo a todos (dois a quem comentar) e fiquem com mais fotos da charmosíssima Charlottetown.



Victoria Row

Autumn is coming...

3 comentários:

ana lucia Costa disse...

É um festival internacional de cultura e gastronomia,rsrrs; recheado de boas disciplinas numa linda cidade.
P.S.:nossas "manchas pretas" são mais emocionantes.
Bjão.

Rafael disse...

Olá, gostaria de saber como foi sua inscrição no CsF. A seleção foi através do IRA da universidade em que estudava no Brasil? Se sim, aproximadamente qual é a média do IRA das pessoas que conseguem a bolsa do CsF. (Tipo, média 8? 9?)

Acredito que o IRA seja principal fator de selação, ou conhece outro ? valeu

Lizzie disse...

Rafael, Isso depende de que etapa você está falando e também é algo muito relativo. Por exemplo, a primeira é ter sua candidatura aprovada na universidade brasileira. A informação sobre este critério você pega com eles. Depois vai para a CAPES ou CNPq, os critérios mudaram um pouco, então não sei te dizer o que está eliminando o pessoal agora, dá uma lida nos editais, lá tem todas as informações. Se você estiver se referindo às universidades internacionais, vai de cada uma também. Vi gente com notas menores que as minhas no IRA (que na minha universidade chamamos de CR) e no IELTS entrar em universidades onde a minha candidatura foi rejeitada. Vai entender, né? Quanto à média dos alunos, acho que basta você não ter muitas reprovações e um coeficiente na média ou a cima. O meu era 7,8 quando vim e não tive problemas. Vi gente com 7-7,5... Sei que não foi uma resposta muito concreta, mas é o que eu sei. Ah, também sei que não estão mais aceitando quem não fez ENEM e ajuda MUITO na seleção se você já teve bolsa de iniciação científica, à docência e/ou ganhou algum prêmio acadêmico.

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